A festa do Corpus Christi, ou Corpo de Deus, celebra a presença real de Cristo na Eucaristia, o Santíssimo Sacramento, tendo sido instituída no séc. XIII. Em Portugal sabe-se que a sua celebração remonta pelo menos ao reinado de D. Dinis, e desde o início do séc. XIV que rapidamente passou a ser festejada em muitas vilas e cidades do Reino. Em Penafiel sabe-se que a celebração do Corpo de Deus deverá ser bastante anterior ao séc. XVII e à elevação do lugar de Arrifana de Sousa à categoria de Vila, dizendo-se já em 1657, data do mais antigo Tombo das Festas do Corpo de Deus que se fazem por el-Rey nosso senhor neste lugar de Rifana de Souza, que aqui se realizavam estas festas por immemorial costume. O Corpo de Deus de Penafiel reveste-se hoje de características únicas no país, não só pela manutenção da secular celebração desta grandiosa festa da cidade e do concelho, como pela persistência de vários dos elementos profanos que originalmente a compunham, unindo-se umbilicalmente à dimensão sagrada da solenidade. Três pontos altos das festas são a “Cavalhada”, que ocorre na noite da véspera do Dia do Corpo de Deus, com provável origem nas determinações do Tombo das Festas do Corpo de Deus, documento de 1657 reformulado em 1705, que obrigavam à prévia fiscalização das danças por parte do Ouvidor e do Escrivão da Câmara e as duas procissões monumentais que têm a Igreja de S. Martinho, matriz de Penafiel, como epicentro. Na Cavalhada saem à rua danças das guildas de Penafiel, com destaque para o Baile dos Ferreiros, a última dança de espadas que se conserva em Portugal. Ainda hoje, doze homens, vestidos de branco, com coroa de flores na cabeça, fita vermelha na cintura e sapatos da mesma cor, empunhando espadas, acompanhados por um guia, um gaiteiro e um tocador de caixa. Durante muitos anos o gaiteiro responsável foi o saudoso António Ribeiro, mais conhecido como "Toni das Gaitas". Refira-se ainda que essa dança é acompanhada pela entoação ritmada por uma canção interpretada pelos próprios dançarinos do baile enquanto manuseiam as suas espadas e cuja letra é a seguinte:
A nossa arte é o ferro
Com ele vimos dançar
Vimos a esta cidade
Procurar de trabalhar
A nossa arte é o ferro
O salário p'ra ganhar
Sem trabalharmos primeiro
Ninguém pode trabalhar
Nem o rei pode ser rei
Sem haver o tal ferreiro
Com o ferro se vence a guerra
Com ele se ganha o dinheiro
Baile dos Ferreiros, Penafiel, Letra. Danças Populares do Corpus Christi de Penafiel
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https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/trilho-das-festas-do-corpo-de-deus-penafiel-105596532