domingo, 26 de abril de 2026

O Baile dos Ferreiros, a última dança de Espadas em território português

 

 
Baile dos Ferreiros, Penafiel

A festa do Corpus Christi, ou Corpo de Deus, celebra a presença real de Cristo na Eucaristia, o Santíssimo Sacramento, tendo sido instituída no séc. XIII. Em Portugal sabe-se que a sua celebração remonta pelo menos ao reinado de D. Dinis, e desde o início do séc. XIV que rapidamente passou a ser festejada em muitas vilas e cidades do Reino. Em Penafiel sabe-se que a celebração do Corpo de Deus deverá ser bastante anterior ao séc. XVII e à elevação do lugar de Arrifana de Sousa à categoria de Vila, dizendo-se já em 1657, data do mais antigo Tombo das Festas do Corpo de Deus que se fazem por el-Rey nosso senhor neste lugar de Rifana de Souza, que aqui se realizavam estas festas por immemorial costume. O Corpo de Deus de Penafiel reveste-se hoje de características únicas no país, não só pela manutenção da secular celebração desta grandiosa festa da cidade e do concelho, como pela persistência de vários dos elementos profanos que originalmente a compunham, unindo-se umbilicalmente à dimensão sagrada da solenidade. Três pontos altos das festas são a “Cavalhada”, que ocorre na noite da véspera do Dia do Corpo de Deus, com provável origem nas determinações do Tombo das Festas do Corpo de Deus, documento de 1657 reformulado em 1705, que obrigavam à prévia fiscalização das danças por parte do Ouvidor e do Escrivão da Câmara e as duas procissões monumentais que têm a Igreja de S. Martinho, matriz de Penafiel, como epicentro. Na Cavalhada saem à rua danças das guildas de Penafiel, com destaque para o Baile dos Ferreiros, a última dança de espadas que se conserva em Portugal. Ainda hoje, doze homens, vestidos de branco, com coroa de flores na cabeça, fita vermelha na cintura e sapatos da mesma cor, empunhando espadas, acompanhados por um guia, um gaiteiro e um tocador de caixa. Durante muitos anos o gaiteiro responsável foi o saudoso António Ribeiro, mais conhecido como  "Toni das Gaitas". Refira-se ainda que essa dança é acompanhada pela entoação ritmada por uma canção interpretada pelos próprios dançarinos do baile enquanto manuseiam as suas espadas e cuja letra é a seguinte:

A nossa arte é o ferro 

Com ele vimos dançar 

Vimos a esta cidade 

Procurar de trabalhar 


A nossa arte é o ferro 

O salário p'ra ganhar 

Sem trabalharmos primeiro 

Ninguém pode trabalhar 


Nem o rei pode ser rei 

Sem haver o tal ferreiro 

Com o ferro se vence a guerra 

Com ele se ganha o dinheiro


Baile dos Ferreiros, Penafiel, Letra. Danças Populares do Corpus Christi de Penafiel


Clique no link para percorrer o trilho das festas do Corpo de Deus de Penafiel

https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/trilho-das-festas-do-corpo-de-deus-penafiel-105596532



sexta-feira, 3 de julho de 2020

Da antiga Central de Captação aos Moinhos de Jancido





A 14 de junho tive a oportunidade de redescobrir os moinhos de Jancido, que se encontram na freguesia de Foz de Sousa, em Gondomar. 
Já tinha ouvido falar destes moinhos que se encontravam junto à antiga linha de Midões que ligava as minas de Covelo à foz do rio Sousa mas quando os visitei pela pela primeira vez em 2014 estavam num estado de degradação tal que não se conseguia reconhecer a sua arquitetura original enquanto moinhos.
Mas foi com agrado que recebi a notícia de que um grupo de amigos, pertencentes à comissão de festas de Santo Ovídeo de Jancido, precisamente em Foz de Sousa, se juntaram em 2016 para recuperar os moinhos da ribeira de Caia-Águas. O resultado do esforço de 8 companheiros (a que se juntaram membros de outras associações da freguesia) é extraordinário e proporciona agora um roteiro pela natureza e pelo som das águas que alimentam novamente estes antigos moinhos.
Parti, então, desde a antiga central de captação de águas do rio Sousa (desativada há mais de 20 anos) à descoberta destes "pedaços" de história rural gondomarense, num circuito de 8 km, por entre caminhos de pedra, alamedas frondosas e o suave murmúrio das águas.

Consulte e/ou siga a trilha clicando no link (wikiloc)

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Pelo Porto das Carquejeiras ao Porto dos Mercadores





Um dia de S. João diferente: Trilho realizado ao fim da tarde, em dia de S. João (num ano que fica para a posteridade como o ano da COVID-19, em que não houve festa de S. João para ninguém) desde o típico bairro das Fontaínhas, junto à escultura em que a cidade homenageia a vida árdua das antigas carquejeiras do Porto, descendo até à antiga linha de comboio que ligava Campanhã à Alfândega Nova, com a escadaria a terminar na Avenida Gustavo Eiffel, subindo a dura Calçada das Carquejeiras (antiga Calçada da Corticeira, em mais uma homenagem, desta feita na forma de toponímia), vereda íngreme que as transportadoras de carqueja (tristemente conhecidas como as “escravas do Porto”) calcorreavam várias vezes ao dia para levar molhos de 40, 50 ou mesmo de 60 quilos de chamiça (outro nome para a carqueja) às padarias do centro da cidade, das Antas, Paranhos ou à Boavista, para alimentar os fornos que iam produzir o precioso pão que alimentaria as gentes da Invicta. Daí até à Rua do Miradouro, passando pelo passeio das Fontainhas até ao Guindalense, para descer novamente, desta feita pelas escadas dos Guindais, junto à muralha fernandina, até à Ribeira, mesmo em frente à ponte Luiz I (Théophile Seyrig). Depois de deixar a ribeira para trás, nova subida, agora pela conhecida Rua dos Mercadores, até à rua da Bainharia e daí até à Rua Escura, S. Sebastião, com a Sé Catedral à vista. Em frente pela Rua Chã e daí até à Capela dos Alfaiates, para terminar junto onde a trilha começou, a escultura das Carquejeiras do Porto, inaugurada em Março de 2020.  
 

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sábado, 13 de junho de 2020

Circuito das 24 Igrejas Católicas do Porto - 21 Kms de Património Histórico e Religioso






Circuito das 24 principais Igrejas Católicas do Porto feito de uma acentada! Foram 5 horas, 21 km desde a Igreja dos Capuchinhos, no Amial e volta, passando pelas igrejas de Paranhos, Antas, Bonfim, Santo Ildefonso, Santo António dos Congregados, Santa Clara, Sé, Grilos, S. Nicolau, S. Francisco e Ordem Terceira, Miragaia, Massarelos, Taipas, Carmo e Carmelitas, S. Bento e Nossa Senhora da Vitória, Clérigos, Trindade, Lapa, Cedofeita e Carvalhido. Apenas ficaram de fora as da Misericórdia (por esquecimento, confesso), Senhora do Porto, Aldoar, Nevogilde, Cristo-Rei, Ramalde, Campanhã e a do Marquês, que ficarão para uma próxima oportunidade!

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O Baile dos Ferreiros, a última dança de Espadas em território português

    Baile dos Ferreiros, Penafiel A festa do Corpus Christi, ou Corpo de Deus, celebra a presença real de Cristo na Eucaristia, o Santíssimo...